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Carta aberta ao Neymar

  • Foto do escritor: Marcos Ferri
    Marcos Ferri
  • 24 de mai.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 31 de mai.

E + uma dica de música


Por Marcos Ferri


Foto: Maxim Shemetov/Reuters
Foto: Maxim Shemetov/Reuters

Menino Ney... Senhor Ney...


Prezado Neymar Júnior,


Abro este canal de diálogo para poder abordar assuntos importantes para nós, brasileiros, que tomaram nosso noticiário e rodas de conversa nos últimos dias: a Seleção Brasileira. Sim, a amarelinha, a canarinho. A mesma camiseta tomada por um certo grupo político (não permitiremos, só para constar).


Desculpe abrir esta carta sem saber como me dirigir a você, pois ainda conheci o Menino Ney, aquele do Santos, e chegamos até aqui, ao veterano do clube. Isso confunde a mente de vez em quando.


Deixo meus parabéns pela convocação, mas admito: fui veementemente contra. E ainda sou. Mas o italiano cedeu. A mídia está feliz, as marcas estão em polvorosa. E, como diz o ditado, o que não tem remédio...


Sim, até usei palavras de baixo calão contra Carlo Ancelotti pela decisão, mas a raiva passou. Minha opinião, não.


Admito que nunca gostei de você, mesmo vendo um brilho em seu futebol. Nunca consegui vibrar com seus gols.


Talvez seja ranço mesmo. Sei que minha opinião sobre ti de nada importa e nem afeta seus bilhões, nem altera a visão de um seguidor seu. Que são muitos. Muitos mesmo.


Sou minoria. Sou resistência (sempre quis dizer isso com um pouco de ironia. Alô, Solange Duprat).


A verdade é que acredito que seu futebol sempre ficou de escanteio. As polêmicas sempre vieram antes. E olha que não me importo com polêmica tanto assim; caso contrário, teria fã-clube do Kaká e do Thiago Silva. Mas eu aprecio mesmo é Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno.


Talvez sejam suas quedas... talvez.


Nem estou falando de sua posição política (tá, um pouquinho sim), tão destoante da minha. Se fosse só por isso, não seria admirador do Romário. Inclusive, esse gabarita tudo o que não se deve, afinal, além do voto, polêmicas não lhe faltam: absurdos, falas equivocadas, marra (que nada mais é do que arrogância). Mas o cara tinha futebol, fala sério.


Ah tá, Neymar também tem. Tá bom. Mas acho que esperei demais por um grande resultado. E não vi. Estou aqui, sentado, esperando o hexa.


Já sei que você vai dizer que a culpa não é só sua e, realmente, não é.


Então, onde tudo começou a degringolar? Há muito, muito tempo, quando demitiram Dorival Jr. para não lhe contrariar. Se eu chamei Ancelotti de frouxo por ceder à pressão, imagine o que não disse da diretoria do Santos em 2010!


René Simões, René Simões! Sábio. “Estamos criando um monstro”.


A partir daí, foi só saudade do que a gente não viveu.


Sobrou óculos Juliet, moicano (e tudo bem, até porque quem de nós não se envergonha de alguma moda, não é?).


Andei, andei para poder dizer: caro Ney, você é mimado. E isso que falo não é para soar como o “você é ridículo” elogioso do Everaldo Marques. Não. É mimado de mimado mesmo. De “pô, para de fazer essas patifarias”.


Não quero dar uma de Casagrande e traçar todas as suas falas problemáticas e atitudes controversas. O objetivo aqui é outro. Venho, por meio desta, dizer que vou torcer pela Seleção. Daquele jeito, talvez meio xoxo e capenga, mas torcerei.


Como bom brasileiro, creio que basta uma vitória mais ou menos que já estarei deveras empolgado.


Não queria torcer por você, caro Ney, mas, se torcer pela Seleção é ter de torcer por você, eu torcerei por você.


Achei até bonito o vídeo em que você recebe a notícia da convocação. Legal, é isso. Vai nessa, cara. Não vamos rogar praga. Pelo menos eu não. Já o Casão, eu não sei.


Tenho certeza de que posso confiar. Você vai tomar jeito. Antes tarde do que mais tarde, não é mesmo? Parar com esse negócio de bet, deixar de incentivar essas coisas que ferram a vida de tanta gente. Você nem precisa disso e...


Espera... alguém está me contando aqui que você fez... como é? Propaganda de bet logo depois da convocação. Não é possível. Eu sei que você não faria uma coisa dessas. Você iria mandar um recado para as crianças que te idolatram, não é?


Não, né?


Pô, Neymar. Me ajude a te ajudar...



E hoje vamos de ninguém menos que Gilberto Gil!




Marcos Ferri - Foto Kaio Nunes - PB.jpg

Eu... um cara de comunicação...

Marcos Ferri é jornalista, músico e escritor. Autor dos livros Obrigado Por Isso (Caravana Editorial, 2025), A Linha do Trem (Cartola Editora, 2019 / reeditado pela Dois Cafés Coletivo Editorial, 2022) e do conto A Casa da Praia, presente na antologia Possessão (Cartola Editora, 2020), além de ser um dos organizadores da coletânea de artigos O Instituto Ação Pela Paz e o Sistema Prisional: 10 anos de Perseveranças e Conquistas (Editora Giostri, 2025). Foi responsável pelo portal de notícias Guitar Talks, dirigiu o documentário O Mergulho Ancestral, co-produziu o filme Luiz Alberto Mendes - Memórias em Letras e integrou diversas bandas — entre elas, a Doravante, na qual também assinou uma série de composições. Atualmente, é responsável pela comunicação e marketing de uma organização social.

 

Entre em contato: marcosferreira.work@gmail.com.

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