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Ser fã

  • Foto do escritor: Marcos Ferri
    Marcos Ferri
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

E + uma dica de música


Por Marcos Ferri


Foto: Jéssica Marinho
Foto: Jéssica Marinho

Sou fã do meu pai. Sou fã da minha mãe e do meu irmão (ele manja de banco, de configuração básica de computador e de outras coisas pelas quais tiramos o chapéu). Também sou fã do Ayrton Senna, do Ronaldo Fenômeno e do Romário. Mas todo mundo é fã desses três, então tanto faz. Quer dizer, do Romário nem todos — e eu até entendo. Ok, do Ronaldo, depois do Corinthians e de alguns escândalos, também nem todo mundo.


Às vezes é mais fácil ser fã desses caras do que dos próprios familiares.


Mesmo assim, ainda é fácil seguir esse tipo de ídolo. Quero ver ter a pachorra de idolatrar Rubens Barrichello. Sei bem o amargor de admirar o piloto que viveu atrás do alemão. Bora? Quero ver sustentar isso.


Sou fã do Matheus Ceará. Não, espera... quer saber? Sou mesmo. E daí?


Sou fã de novela. Ser fã de Quentin Tarantino é moleza; quero ver babar ovo de Aguinaldo Silva e Lícia Manzo. O quê? Quem é Lícia Manzo? Não poderemos dialogar depois dessa. Saia daqui, por favor.


Sou fã de O Exterminador do Futuro, especialmente o 2. Também da Anne Hathaway. Sou um paradoxo. Melhor assim.


Fã é um negócio meio sem explicação. Tem gente que é fã da Virginia e do bebê da Viih Tube. Nada contra. Mesmo.


Só não seja fã de bet. Só vale se for da Carvalho ou da Faria.


Entendi que esse negócio de ter ídolo é complexo. Levei meu irmão roqueiro (aquele que rasguei elogios há pouco) ao show do Angra, pagando ingresso e tudo, apostando uma centena hipotética de dinheiro que ele se renderia ao som logo na segunda faixa.


Era óbvio. Não tem como não balançar a cabeça e gritar como louco ao som do Angra. O cara ouve Iron Maiden. Deu um rim para ir ao show do AC/DC. Nada mais natural.


E lá se foram uma, duas, três, dez, vinte músicas... e nada. Três horas e quinze minutos depois, nem uma vibração. Gélido. Impávido. Emoção zero.


Aquilo não fazia sentido.


Minha conversão fracassou.


Como diria o Kiko — não o Loureiro, mas o do Chaves: não deu.


Isso vale pro Angra, mas também pro Star Wars do nerd do serviço, pro Sorriso Maroto da vizinha, pro Gusttavo Lima do bar da esquina, pra rodinha de violão com Legião (essa eu até gosto, vai) e pro carro com funk: limitem-se. Você é fã. O outro... nem sempre.



Eu sou fã de Angra... então vai Angra (com a Sandy, que sou fã, pois sou fã também):




Marcos Ferri - Foto Kaio Nunes - PB.jpg

Eu... um cara de comunicação...

Marcos Ferri é jornalista, músico e escritor. Autor dos livros Obrigado Por Isso (Caravana Editorial, 2025), A Linha do Trem (Cartola Editora, 2019 / reeditado pela Dois Cafés Coletivo Editorial, 2022) e do conto A Casa da Praia, presente na antologia Possessão (Cartola Editora, 2020), além de ser um dos organizadores da coletânea de artigos O Instituto Ação Pela Paz e o Sistema Prisional: 10 anos de Perseveranças e Conquistas (Editora Giostri, 2025). Foi responsável pelo portal de notícias Guitar Talks, dirigiu o documentário O Mergulho Ancestral, co-produziu o filme Luiz Alberto Mendes - Memórias em Letras e integrou diversas bandas — entre elas, a Doravante, na qual também assinou uma série de composições. Atualmente, é responsável pela comunicação e marketing de uma organização social.

 

Entre em contato: marcosferreira.work@gmail.com.

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